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Vale de Arnoso

Vale de Arnoso

Confraria do Glorioso Mártir S. Sebastião

 

Sebastião1.jpg

Confraria do Glorioso mártir S. Sebastião

Esta é uma das confrarias mais antigas de Santa Eulália de Arnoso, sendo os seus estatutos reformados em 1689 e em 1910 ainda tinha bens monetários em seu nome, isto de acordo com o livro de inventários das Confrarias Extintas de Santa Eulália de Arnoso e da anexa de S. Salvador de Arnoso.
O primeiro Livro leva-nos desde a reforma dos estatutos publicados em 24 de Abril de 1689 e depois passando por algumas apresentações do livro na diocese. Tem pelo meio o registo dos Irmãos da confraria quer da freguesia de Santa Eulália e da do Mosteiro mas também em páginas separadas os Irmãos de outras freguesias vizinhas, tendo alguns a data do seu falecimento.
Algumas curiosidades dos Estatutos:

Na página 2 com algumas abreviaturas tem o seguinte título:
Estatutos da Confraria do Glorioso Mártir S. Sebastião Sita na Freguesia de Stª Eulália de Arnoso, Reformados neste Ano de 1689.

Pág. 3 Justificação.


São tantas e tão grandes as mercês que Deus Senhor Nosso por sua infinita misericórdia continuam. Costuma fazer por intercessão do seu mui estimado Servo o muito Glorioso Mártir S. Sebastião que além mais prerrogativas não só se deu a de ser advogado da Peste, mas também das pontadas, e mais enfermidades corporais; por cuja causa os Irmãos desta Santa Confraria, munidos da Caridade o quiseram tornar a tutelar para que escapando dos naufrágios desta miserável vida por intercessão deste Glorioso Santo, possam suas Almas chegar vitoriosas ao porto da Glória e segundar-se-iam alcançar os remédios necessários para as infirmidades do corpo. E vendo que esta Santa Confraria por calamidade dos tempos e pouco fervor dos Irmãos dos tempos passados se ia arruinando e estavam diminuídas sendo a que com maior zelo se devia conservar, pois se os há nesta freguesia a quererem com de novo tornar a reedificar revogando os Estatutos Velhos de que até agora usavam, e querem de hoje em diante, e se obrigam a guardar os seguintes por lhes parecerem mais convenientes ao estado presente da Confraria e confiando na misericórdia de Deus que crendo em os Irmãos os zele, pelo decurso do tempo. Creiam também os sufrágios que as Almas com as quais por intercessão do Santo sejam levadas para a glória, as quão nos perdoasse Deus.

 

CAPITULO 1


DOS IRMÃOS QUE SE RECEBERÃO NESTA CONFRARIA E DO QUE HÃO-DE PAGAR.


Toda a pessoa assim homem como mulher que quiser entrar nesta Confraria até idade de vinte anos dará de entrada um tostão, e de vinte até trinta cento e cinquenta, e de trinta até quarenta dois tostões, e de quarenta para cima se aceitará a votos da Mesa: E não aceitarão pessoas desconhecidas sem certidão de suas idades e terão mesmo sentido nas pessoas assacadas para que assim lhes peçam as entradas, assentando os gastos que farão à Confraria.

 

CAPITULO 2

 

DE QUANTO SE HÀ-DE PAGAR DE ANUAL

 

Todo o Irmão desta Confraria pagará cada ano vinte e cinco tostões ou um quarto de milho ou de centeio ou misturado. E os que até dia de S. Miguel não ficarem pagos em dinheiro daí por diante lhe não aceitarão senão quão na forma dessa. E quando entrasse o segundo ano não tiver pago seja riscado, e se desobrigará a Confraria dele que se não lhe fazer os sufrágios sem primeiro pagar o que deve, ou descontasse nos mesmos sufrágios. E o mesmo se usará com os que se ausentarem, não pagando ou não deixando quem pague por ele. Caso alguém por qualquer forma forem riscados não será a Confraria obrigada a tornar-lhes causa algumas antes serão eles obrigados a pagarem tudo que deverem até há hora que foram riscados e não é segundo os ditos vinte e cinco tostões pagarão a tributos.

 

CAPITULO 3


DO QUE SE HÁ-DE FAZER POR CADA IRMÃO QUE FALECER

 

Sendo Deus servido levar para si algum Irmão, dar-lhe-ão dois Lumes enquanto estiver em casa. E sendo possível se componha duas tochas para acompanhar a Cruz da Confraria que fazem dezasseis e na Igreja arderão quatro Lumes enquanto o corpo estiver por sepultar, dois à cabeceira, e dois aos pés com a Cruz. E para o oficio e missas dele a cera necessária como de costume, e rogo o mais breve que for possível o Procurador e Tesoureiro lhe mandarão dizer suas Missas em qualquer Altar privilegiado no dia em que em que o for, enquanto se tira sua Alma do Purgatório. E assim mais a cada Irmão que falecer lhe farão um Oficio de cinco Padres, a cada um, dois tostões, dando de esmola um tostão. O que tudo cumprirão ao mais tardar dentro de oito dias sendo possível. E sendo o tal Irmão pobre que não tenha outros ofícios se farão no dia do seu enterro, logo o Reverendo Pároco fará executar com grande cuidado.
E os filhos dos Irmãos que falecerem até a idade de dez anos, somente se darão um lume em casa, e quando o caminho sem mais coisa alguma.

 

CAPITULO 4


DAS DOZE MISSAS DO ANO


Ordenamos que nas terças ou quartas-feiras, primeiras de cada mês sendo possível se manda dizer uma Missa nesta Igreja pelos Irmãos vivos e defuntos, aliás em qualquer dia de, de modo que sempre se digam doze como de costume e ficando algumas sobras dos gastos ordinários se fará um aniversário até onde elegerem pelos Confrades defuntos.

 

CAPITULO 5


DA OBRIGAÇÃO QUE TERÃO OS IRMÃOS PARA COM A CONFRARIA

Ordenamos que todo o Irmão que for contra o bem e utilidade da Confraria, ou for eleito por Oficial dela, e não queira deitar (votar), não tendo causa bastante que o escuse, é pela primeira vez condenado em dois e cinquenta reis. E pela segunda será riscado, e se por todo e qualquer causa for riscado, não tornará a ser admitido sem pagar as avalias em dobro, e mais a condenação que pelos oficiais da Mesa e for imposta e havendo necessidade de dinheiro para gastos da Confraria, se lançarão finta pelos Irmãos, e todo o que não quiser pagar será riscado e executado na forma acima.

 

CAPITULO 6

 

DOS OFICIAIS QUE HÁ-DE HAVER NESTA CONFRARIA QUANDO SE HÃO-DE ELEGER E DAS OBRIGAÇÕES QUE SE HÃO-DE TER

 

Haverá nesta Confraria um Juiz, dois Mordomos, um Procurador, um Escriva e um Tesoureiro, que serão eleitos por todos os Irmãos, ou pela maior parte deles que estiverem presentes nesta Igreja no dia da eleição que será no Domingo próximo, antes da festa do Glorioso Mártir S. Sebastião, para o que serão avisados na mesma Igreja no Domingo antecedente e aí estando os Oficiais juntos com o Reverendíssimo Pároco como presidente, em segredo o Escrivão tomará os votos começando pelo Juiz, Mordomos e mais Oficiais, e estando algum deles por alguma causa justa o Procurador chamará em seu lugar o Oficial do ano atrás para suprir a sua falta, de modo que fique sempre a Mesa completa. E em cada freguesia circunvizinha onde houver mais Irmãos, elegerão um Tesoureiro que tenha cuidado de procurar a cera para os Irmãos da sua Freguesia e assistir com ela. E tirar as esmolas das eiras e dar conta de tudo ao Tesoureiro desta Freguesia, advertindo que sempre o Tesoureiro da Confraria seja desta Freguesia e o Escrivão e Procurador e algumas vezes do Mosteiro os mais capazes forem para os cargos. E os mais Oficiais se elejam de toda a Irmandade como melhor convier para o bem da Confraria e serão obrigados a virem tomar o juramento da mão do Reverendíssimo Pároco desta Freguesia para melhor fazerem suas obrigações.

 

CAPITULO 7

DO DIA E COMO SE HÃO-DE TOMAR AS CONTAS

 

Em o último Domingo do mês de Janeiro de cada ano se ajuntando nesta Igreja de Santa Eulália de Arnoso os Oficiais novos e velhos do ano que acaba e do que começa e aí em Mesa darão contas ao Tesoureiro e mais Oficiais do ano seguinte: e deixando algum por sua culpa perder alguma causa pertencente à Confraria lhe farão pagar da sua fazenda. E havendo algum negócio ou demanda da Confraria os gastos se farão por conta da mesma Confraria conforme o arbítrio dos Oficiais e Irmãos dela no que haverá muito grande vigilância. E logo ficará entregue ao novo Tesoureiro, entregue do restante do ano próximo passado. E tudo isso assistirá o Reverendo Pároco querendo para organizar, sempre avisado primeiro pelos Oficiais: Como também assistirá em todas as cousas pertencentes ao governo da Confraria para que tudo se faça com maior acerto. E com a quietação que convém a semelhantes actos.

 

CAPITULO 8


DAS ESMOLAS QUE SE HÃO-DE PEDIR PELAS EIRAS

 

Terão cuidado os Oficiais, que servirem no seu ano pedir pelas eiras nesta freguesia e se quiserem na do Mosteiro, para o que se ajuntarão todos incorporados no dia que assentarem e aos que não quiserem dar esmola nesta forma podendo, lhes não darão cera para os filhos famílias quando morrerem que acima se lhes concede. E nas freguesias circunvizinhas pedirão os Tesoureiros que lá elegerem, ou qualquer Irmão que nomearem os Oficiais da Mesa com pena de pagarem de sua casa o que podiam ajuntar. E o que ajuntarem entregarão ao Tesoureiro desta Freguesia.

 


CAPITULO 9


DA OBRIGAÇÃO DO JUIZ


O Juiz como pessoa que ocupa o maior cargo da Confraria será sempre o primeiro para as causas, dela e sendo necessário haver Mesa dará recado ao Procurador para que chame os mais Oficiais e pessoas necessárias, e sendo algum dos Oficiais revel obrigações nas obrigações de seu ofício os condenará para a Confraria no que for justo, conforme a causa o pedir.
Terá obrigação de dar o Irmão no dia da festa do Mártir S. Sebastião à sua custa como de costume ou pagará quinze tostões (acrescentado posteriormente).
E sucedendo falecesse pelo decurso do ano o Juiz ou algum dos dois mordomos e seus herdeiros não quiserem satisfazer sua obrigação os dois que ficarem igualmente farão a festa por sua conta e se forem pobres que não possam, em tal caso elegerão dois da Confraria ou o Juiz, e faltando algum dos outros Oficiais ficará servindo em seu lugar o Oficial do ano acabado, ou aliás em Mesa poderão escolher e determinar o que mais conveniente for.
E também poderá o Juiz Condenar os Confrades que forem desobedientes conforme sua contumácia na forma acima até meio tostão.

 

CAPITULO 10


DA OBRIGAÇÃO DOS MORDOMOS

Os dois Mordomos assistirão com o Juiz e mais Oficiais em todas as causas pertencentes ao governo da Confraria e todas as vezes que for necessário para organizar, serão avisados na forma dita. E ajudarão a tirar as esmolas das eiras e arrecadar sendo necessário, e terão obrigação no dia da festa do Santo dar à sua custa Missa cantada com acólitos e música como melhor for seu zelo e poderem, e assentarão pelo aumento da Confraria.

 

CAPITULO 11


DA OBRIGAÇÃO DO PROCURADOR

 

O Procurador será mui zeloso em procurar o bem e aumento da Confraria e em acusar os erros e faltas em que os Irmãos caírem faltando às suas obrigações e em anular as dívidas da Confraria e sabendo algum negócio correr com ele, dando à Confraria o necessário não falando em tempos de sua pessoa fará dar satisfação aos legados dos Irmãos defuntos com brevidade e ajudará ao Tesoureiro a comprar a cera e tirar as esmolas das Eiras e a tudo o mais que for necessário. E assistirá alternativamente com o Tesoureiro aos defuntos com a Cruz e cera indo um a um defunto e outro a outro. E também ajudará a arrecadar os anuais, e fará as notificações aos Irmãos que se forem mandadas pelo Juiz e Mesa.

 

CAPITULO 12


DA OBRIGAÇÃO DO ESCRIVÃO

O Escrivão terá obrigação de assistir na Mesa todas as vezes que o Juiz e mais Oficiais se ajuntarem a tratar das causas pertencentes à Confraria escrevendo o que for necessário. Terá em seu poder os livros da Confraria e os tratará com muita limpeza fará os assentos dela, digo, dos Irmãos que entrarem e sempre serão aceites em Mesa. Dará rol dos Irmãos quando for necessário ao Tesoureiro, Procurador e mais Oficiais para arrecadar as dívidas e amais, e irá com ele fazer a cobrança a onde for necessário e principalmente nesta Freguesia e na do Mosteiro.

 

CAPITULO 13


DA OBRIGAÇÃO DO TESOUREIRO

O Tesoureiro terá obrigação de guardar todo o dinheiro e bens da Confraria que arrecadar e lhe forem entregues, fará do rol de recibo e despesa para assim dar conta, e indo a comprar Cera ou alguma causa para a Confraria, não irá sem o Procurador ou Escrivão ou algum dos outros Oficiais com que sempre vão dois outros, estará pronto para dar tudo o que pelos Oficiais da Mesa lhe for mandado, organizar sem isso não fará, assistirá alternadamente com a cera e Cruz com o Procurador aos defuntos indo um a um e outro a outro, organizar se entrará também nos ofícios da Confraria e Missas. Dará logo satisfação aos Legados dos Irmãos não lhe encarregamos sua Consciência. Irá com o Procurador e Escrivão arrecadar os anuais pelas portas dos Irmãos quando for necessário e tirar as esmolas das eiras e a tudo mais que for necessário para bem e utilidade da Confraria. Estando algum deles impedido sempre irá o outro que o não estiver.

 

CAPITULO 14


DA OBRIGAÇÃO DOS TESOUREIROS DE FORA.


Os Tesoureiros das freguesias de fora, tanto que na sua freguesia falecer algum Irmão, terão obrigação de vir procurar a cera ao Tesoureiro desta Freguesia, leva-la e assistir com ela e tornar a entregar o resto ao mesmo e também a Cruz.
Arrecadarão os anuais, e tirarão as esmolas nas eiras, cada um na sua freguesia e de tudo farão entrega ao Tesoureiro desta freguesia para de tudo dar conta. E os que assim não pagar como também os de longe terão obrigação a virem pagar ao Tesoureiro desta Freguesia debaixo das penas dos Estatutos acima.

 

CAPITULO 15


DE COMO SE TRATARÁ DOS LEGADOS QUE FOREM DEIXADOS À CONFRARIA

Declaramos que sabendo alguma pessoa que queira deixar algum legado de bens móveis ou de raiz a esta Confraria, os Oficiais terão grande cuidado de as arrecadar e tomar posse deles sendo necessário. E a mesma obrigação terão de dar satisfação à obrigação porque forem deixados do que tudo fará assento no livro da Confraria como lembrança dos vindouros.
Assim mais declaramos, condenamos que os cinco almudes de vinho que deixou a esta Confraria Simão Pires Tabosa e sua mulher da cidade de Braga, das uveiras da Ribeirinha e duas medidas de grão terçado das terras da Veiga, agora na posse de João Gomes do Ribeiro com a obrigação de duas missas cada ano como consta do assinado e posse das ditas terras que andam pelas mãos dos Oficiais da Confraria que se gastem no dia do Santíssimo como até agora se costuma, naqueles pobres que assistam na Missa do assinado, manda o órgão se for justiça
Declaramos mais que os Tesoureiros de fora, basta serem eleitos pelos Irmãos da Mesa ou nomeados como também nomeará dois Irmãos um para irem tirar as esmolas das eiras ao que satisfarão debaixo das do Capitulo 8.
E porque continuarão nestes Estatutos os Irmãos desta Confraria os mandarão lançar neste livro e disseram que os deitarão e se obrigarão em todo e por todo a guarda-los, assim e da maneira que neles se contem e pedem aos Irmãos que ao diante lhes sucederem assim os cumprirão e guardem na mesma forma que estão escritos. E por estes revogam os Estatutos Velhos e querem que sempre estes valham: E que sendo necessário acrescentar ou diminuir alguma causa a estes Estatutos a todo o tempo o possam fazer sendo em utilidade da Confraria e bem das Almas.
E querem que se alguma causa, assim ordinário riscar, acrescentar ou emendar nela, e o aceitam e querem guardar como que fora capitulo destes Estatutos.
E nesta forma dizem todos os Irmãos desta Confraria que eles se sujeitão por si e por seus sucessores a todos os mandados penas e censuras Eclesiásticas e aguardar inteiramente obediência ao Senhor Prelado a quem pedem por mesmo interponha a sua autoridade ordinária a estes Estatutos para que mais inteiramente se guardem e por assim o quererem e de tudo serem contentes aqui assinarão com o Reverendíssimo Vigário como presidente desta Confraria e Juiz, e mais Oficiais que de presente serão.
(acrescentado) Aos nove dias do mês de Março de mil e seiscentos e oitenta e nove anos.
O Vigário, Manuel Machado Coelho
Segue-se diversas assinaturas algumas a rogo, mas percebendo-se apenas pequenos enxertos como: António João, Marçal, José da Costa, António Gomes Domingos Afonso, Francisco Cardoso, Manuel Silva, Gomes, Braz, Lopes, André, etc.

Pág. 15


Querem os Irmãos da Mesa e mais Confrades, assim posto reparo dos direitos a pagar as missas do legado fiquem assente os Irmãos para o bem e aumento da Confraria e nesta forma o aceitam e que se algum Mordomo fizer o contrário, paguem de sua casa e por assim o quererem me pediram que este fizesse e comigo assinasse aos vinte e quatro de Abril de mil e seiscentos e oitenta e nove
O Vigário
Manuel Machado Coelho

Segue-se depois a entrega do livro por diversas vezes, no Governo Civil e Arciprestados para aprovação e conforme as leis do estado iam mudando os Estatutos também tinham de ser reapreciados pelos diversos Governadores do Reino ao longo dos tempos e verificamos que a ultima vez que foram aprovados, mas com a contestação do responsável da Confraria o Encomendado António R. Mont.º que dizia que os Estatutos apenas necessitavam de ser aprovados na componente espiritual e não no material como alfaias ou bens monetários, conforme verificamos na pág. 19.

Capitulo 16


DO INVENTÁRIO DESTA CONFRARIA DE S. SEBASTIÃO.

Tem esta Confraria uma Cruz de estanho e um estandarte vermelho de damasco e três opas vermelhas de serafina e dois cirios.

Capitulo 17


Dinheiro das almas


João da Silva C. por uma escritura quinze mil reis
Ramos R. por uma escritura quatro mil e oito reis
José de Oliveira L. por ima escritura, mil e duzentos reis.
Todas estas escrituras (assinados) são nesta freguesia de Santa Eulália de Arnoso.

Pág. 20


Dizem os Oficiais da Confraria do Mártir S. Sebastião sita na Freguesia de Santa Eulália de Arnoso que nestes Estatutos se acha um acórdão a folha 16 verso, e como para o seu cumprimento se necessita de confirmação Ordinária. Por isso no que pertence ao espiritual somente.
Haja vista o Sr. Desembargador a Vossa Excelência se sirva mandar-lhe passar provisão de confirmação no que pertence ao espiritual somente.
Assina E. R. M.º

Pág. 20V


Rogo declare e levem as contas que referem ao ano de 1895.

Sr. Doutor
Do livro de contas desta confraria que foi principiado no ano de 1777, consta estar já sujeito ao Provedor por que, por ele foi rubricado e os mais velhos desta freguesia que tem servido de Tesoureiro dizem que sempre deram contas ao Provedor e como a confirmação que se pede ao Sr. Ordinário é só no que pertence ao Espiritual do referido Acórdão, por isso se não necessita de mais sujeição a que dará o seu parecer. Em Santa Eulália de Arnoso 3 de Março de 1805.
O Encomendado António R. Montº. (Diz-se do padre que é nomeado interinamente para reger uma paróquia).

Pag. 21


O Padre Encomendado podia condenar a sua informação será as palavras e consenso daí por diante, não com incivil, ou com ignorância crassa que queira entrar em querer aclarar a supra e ensinar-me o que devia ser:
O livro destes Estatutos dá outras notícias, que o Sr. Padre Encomendado podia ler. E ver 1649 anos, ficam confirmados os Estatutos pela jurisdição ordenada. Consta claramente o cap. 5, antes disto é certo ficarão confirmados os estatutos o descrevi e não se pode ou desprezarem, e os Estatutos, mudaram de jurisdição na reforma que fizeram há mais de cem anos.


Nota: na página 22V e 23 em reunião da Confraria se nota que as contas e não estão aprovadas pelas entidades e é chamado à atenção para o dever de se enviar as contas e para aprovação assim como os estatutos para serem reaprovados ou verificarem se seria necessário alterar algum dos capítulos. E de seguida na página 23V aparece a aprovação pela arquidiocese como descreve.

 

O Doutor Francisco José de Souza Lima Arcediago de Neiva na Santa Sé Primaz Director Provisor nesta Corte e Arciprestado pelo Excelentíssimo e Reverendíssimo Senhor Doutor Frei Caetano Brandão Arcebispo e Senhor de Braga Primaz das Espanhas, que pela inerente vistos estes Estatutos da Confraria de São Sebastião sita na freguesia de Santa Eulália de Arnoso deste Arcebispado reposta do Director Procurador-Geral da Mitra na forma desta e com observância das cláusulas na mesma expressas.
Hei por bem aprovar e confirmar os mesmos, e lhe dou e entreponho minha autoridade ordinária com o decreto judicial e mando se cumprirão e guiarão e observando se aceita reposta, ficando validos os direitos Arquiepiscopais, e Paroquiais e será registada no Registo Geral desta Corte sem? não valha. Dada em Braga sob meu sinal e selo desta mesma aos 9 de Agosto de 1805 e eu Pedro Ignacio Rodrigues Costa Escrivão da Câmara Eclesiástica a subscrevi.
Francisco José de Sousa Lima

 

 Sebastião7.jpg

Livro dos Irmãos da Confraria de S. Sebastião
1803 a 1864
Este livro, oficializado e rubricado em Fevereiro de 1803, na ultima página e não aparece a folha de rosto (inicial) por isso começa logo com o assentamento do nome dos irmãos da confraria. Mais a meio são registados os irmãos que vão entrando na Confraria e a quantia que dão de entrada. Exemplo. “Aos vinte e três dias do mês de Fevereiro do ano de 1864 entrou nesta Confraria do Mártir S. Sebastião desta Freguesia de Santa Eulália de Arnoso, Teresa da … Mulher de José de O. B. da freguesia de Jesufrei do lugar do … e deu de entrada a quantia de 200 reis.
Depois segue-se o registo de todos os empréstimos da Confraria, e os juros pagos pelos mesmos credores, tendo sempre a Confraria uma escritura do referido empréstimos.
Na página 28 verso aparece o inventário, (transcrito aqui conforme está escrito):
“ Em Bentário dos trastes q. tem esta Confraria do Marte S. Sabastiam da freg.ª de Stª Eulália de Arnoso q. são os seguintes a saber:
Huma bandeira bormelha com hum cadro com o mesmo Marte Pintado, huma de latom Marelo e huma cruz de latom Marelo e huma barra de ferro de estender os panos em gansala em um ganxo que tem o pé da Cruz e uma barra de pau e tem três opas de sata bormelhas.
E tem quatro libros hum de carregar os Irmãos q. entro e outro são: os Estatutos e tem mais dois de contas hum Novo com poucas folhas com a capa de pelique pintada e outro de contas belho com a capa de pelique branca inda quasio pouco mais de metade escrito e três libros a saber o de carregar os irmãos e os dois de Contas são todos três de hum comprimento, mas não no alto das folhas e o dos Estatutos é hum livro que tem hum palmo de alto por mais ou menos e tem também a chapa de pelique branca.
E tem hum asignado de dinheiro a prazo de quinze mil Reis de João da S. C. ou seus herdeiros do lugar da bica desta mesma freguesia.
E tem mais outro asignado de dinheiro de quatro mil e oitocentos reis que tem Tomás R. e sua mulher Maria de A. do lugar da Carvalheira.
E tem outro asignado que fez D. de Oliveira e sua mulher Maria da C. do lugar da Cruz da quantia de mil e duzentos reis
Acha-se todo em casa de Manuel da S. O. Desta freguesia vinte e um mil reis por uma escriptura feita na casa do Escrivão António Augusto dos Santos feita aos doze de Janeiro de 1848. Acha-se em casa de José Fernandes, solteiro a quantia de mil e duzentos reis a juro assinado a folhas 26 atrás.
Não tenho dados de quando foi extinta a Confraria mas como outras devem ter sido extintas nos finais do século XIX.

 

 

 

Livro das contas da Confraria de S. Sebastião de 1847 a 1874


Sebastião12.jpgEste livro antes das respectivas contas têm a seguinte acta de abertura, registo dos bens monetários e circulares vindas da administração do Concelho de Vila Nova de Famalicão e só depois apresenta as contas.

“Vou comigo ao João Estamiloio Lacerva empregado nesta Administração para numerar e rubricar este livro, com abrir e encerramento no fim. Tem este livro a servir para nele se lançarem as contas da Confraria de S. Sebastião da paróquia de Santa Eulália de Arnoso. Famalicão, 6 de Junho de 1855
O Promotor desembargador
Manuel Justino Ferreira da Cruz

Tem esta confraria de S. sebastião de capital a receber a quantia de 21.000 reis
Cresça mais as esmola do Juiz que serviu no ano de 1851 a quantia de 1.200 reis
Cresça mais no mesmo ano, nomes de Julho de entrada a quantia de 1.120 reia
Cresça mais, em rendimento outra entrada em 15 de Julho de 1853 .160 reis
Cresça mais, em rendimento outra entrada de .020 reis

Total 23.500 reis

Circular nº 27 – recebido no dia 22 de Outubro de 1854 – é o seguinte:
O Tribunal do Concelho do Distrito ordena, segundo fora transmitido em circular do Excelentíssimo Governador Civil de 30 de Setembro último que as Mesas das Confrarias e Irmandades e quaisquer outros indivíduos que administram outras Corporações e estabelecimentos de piedade e beneficência existentes neste Concelho que devem fazer Reduzir as escrituras públicas com fianças idóneas e logo ter seguras todas as dívidas activas das Corporações que administram que constarem de letras ou assinados de mão e nunca mais dar a juro quantia alguma da mesma corporação, senão por escritura pública na forma sobredita e que outro fim deve fazer Registar no tempo legal as hipotecas das dívidas activas desta Confraria que administram e renovar os registos findos que sejam os seus de ciamos da sua direcção, ficando responsáveis solidamente na forma da lei, pelas suas pessoas e bens por qualquer prejuízo que resulte da falta do cumprimento destas inscrições. E para se tornarem efectiva a responsabilidade os Senhores Regedores, farão registar esta circular nos livros das contas das confrarias e mais e mais estabelecimentos, passando certidão ao pé desta de assim o haver cumprido, fazendo entregar nesta Administração, Famalicão 14 de Setembro de 1854.
Está conforme, o Regedor Domingos José de Abreu e também é Tesoureiro no corrente ano.
Aparecem depois o registo das contas dos anos de 1847 até 1865, notando-se já uma quebra de Irmãos da Confraria, sendo em alguns anos registado apenas dezanove. No último ano são mencionados vinte e sete Irmãos, falecendo dois e não e não entrou ninguém e ficaram muitos atrasados por receber. As contas apresentam um saldo de 2850 reis e assinam: Manuel Ferreira, Juiz: Domingos José de Abreu, Tesoureiro e Mário Pereira, Procurador.
Segue-se depois duas actas a finalizar o livro e possivelmente a Confraria, passando os bens a serem geridos pela Junta da Paróquia até à construção do cemitério paroquial mais tarde usurpado pelo poder civil da República Portuguesa.
Domingos José de Abreu, entregou-me 2850 que dizia ser de liquido para eu dizer em missas do legado que disse estarem atrasadas, disse dez, recebi de esmola por cada uma 200 reis e fica em meu poder para se lhe dar a aplicação que a Junta determinar850 reis.
Santa Eulália 30de Dezembro de 1874
O Encomendado, Manuel Gomes Jácomo

Aos seis dias do mês de Maio do ano de mil e oitocentos e oitenta, nesta freguesia de Santa Eulália de Arnoso, casa das secções a onde se reuniu António de Oliveira como presidente da Junta da Paróquia e os vogais António José da Costa e Joaquim José da Costa Moreira afim de receber a quantia de oito mil seiscentos e setenta e cinco, que se achavam em poder de Domingos José de Abreu como tesoureiro que foi anteriormente da Confraria do Mártir S. Sebastião desta freguesia, cuja quantia era e como consta de uma declaração feito no livro das actas da mesma Confraria a folha 3, quantia esta seis mil e duzentos e noventa, hoje com o excesso do produto somou a dita quantia de oito mil seiscentos e setenta e cinco reis. E para constar se lavrou a presente acta do que por todos vai ser assinada depois que a todos foi lida por mim José Pereira Rodrigues de Oliveira secretário que o escrevi e assino:
António de Oliveira
António José da Cunha Moreira
António José de Abreu
José Pereira Rodrigues de Oliveira

No dia doze de Dezembro do ano de mil oitocentos e noventa e sete, António José de Abreu entregou à Junta da Paróquia, Padre Manuel Gomes Jácomo, presidente e António José Pereira Machado a quantia de nove mil reis, o desconto da quantia sendo a quantia de oito mil seiscentos e setenta e cinco reis do constante da acta anterior e rende juros. Assinam:
O Presidente Padre Manuel Gomes Jacomo
António José Pereira Machado